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Pesadelo privatista e a CPI da Petrobrás

Por Alexandru Solomon

imagem-02jpeg.jpg De acordo com o autor Jean Sevilla no seu livro “Terrorismo intelectual’, existe uma técnica, que, por ser universal, vem sendo usada abusivamente por essas bandas também. Concentram-se virtudes negativas, abomináveis, execráveis etc. e elas são associadas a um rótulo, que logo a seguir passa a ser usado como estigma, descolado da sua origem. Privatista é um deles. O candidato Alckmin que o diga, ao rejeitar, vestindo uma camiseta da Petrobrás a ‘pecha infamante’ de querer privatizar a Petrobrás.

Rótulos blasfematórios não faltam e já são usados de forma mecânica para desqualificar opositores. Privatistas, neoliberais, elites, vendilhões etc. Poucos se lembram de onde partiu o jato de veneno, restou o insulto, revigorado pelo uso contínuo.Em função disso, desenvolveram-se movimentos demagógicos para movimentar massas de manobra prestes a escandir: Fora FMI, A Petrobrás é nossa – coroando essa hipocrisia com rituais cheios de apelo emocional, como, por exemplo, “abraçar a sede da Petrobrás”. E por que não postos de gasolina? Dentro do repertório de mistificações usadas sobressai-se chamar de “impatriótica” a CPI da Petrobrás, como apontado por José Neumanne (Estado A2 27/5).

Um pouco de reflexão acerca do slogan “A Petrobrás é nossa” mal algum faria. Nossa? De quem? Trata-se de uma empresa por ações que pertence, pois, aos acionistas, sendo o maior dele o Estado. Suponhamos que, cúmulo dos horrores, o Governo venderia parte das ações – como já o fez – mas exageraria na dose a ponto de ceder o controle a algum grupo econômico, ou a uma massa enorme de acionistas individuais. Qual a grave ameaça que pairaria sobre o indefeso povo, em nome do qual tantos enchem a boca?

Pensemos no pré-sal. Segundo o bem informado diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, 50 bilhões de barris compõem nosso ‘mar de petróleo’. Um senador rápido de contas já afirmou que a 60 dólares o barril, isso significa 3 trilhões de dólares. Essa fortuna não está à disposição de quem gritar: Eu quero minha parte – quero meus 15 mil dólares! Será preciso extrair, pelo menos. Nesse ponto, entra o único argumento válido dos adversários da privatização. O ‘timing’ de uma empresa subordinada ao governo pode não ser o mesmo de uma empresa privada. Se é interessante explorar tendo em mente um horizonte de 20, 50 ou 200 anos é, de fato, uma questão sensível. Seria preciso imaginar qual a evolução das cotações desse bem finito, o possível surgimento de substitutos, hoje ainda no estágio de desejos, a utilização dessa riqueza em benefício de causas nobres etc.

Privatizada ou não, a Petrobrás, Petrobráx (há quem mal consegue conter a fúria ante esse nome sacrílego) ou Entreguista S/A, seja qual for o nome não arrancará, sem custo, das entranhas da Terra esse petróleo e depositará o produto da venda numa conta aberta em nome do “Povo brasileiro e/ou”. Imaginar fantasmas hostis, como as “malditas multinacionais” conspirando contra nós não enriquece a discussão. Afinal a “Maldita multinacional Petrobrás” não irá prospectar petróleo no Mar Negro? Já não o faz em tantos outros lugares?Haverá um sistema de concessão, partilha ou alguma forma criativa, mas qualquer que seja haverá um valor enorme composto de receita mais o festival de impostos que irá parar numa rubrica orçamentária. Daí à conta “Povo brasileiro e/ou”, infelizmente, haverá uma distância abissal.

O que seria profundamente lamentável é que diretorias como a “que fura e acha petróleo’ sejam objeto de acordos políticos e que os resultados da atividade de exploração, ao invés de irem para a conta “Povo brasileiro e/ou’ financiem projetos suspeitos, eventos promovidos por ONG´s bizarras e outras variações sobre esse tema – por demais indigesto. E isso, dificilmente aconteceria no caso de prevalecer essa tão detestável privatização que a todos - situação e oposição - parece horripilar. O assunto merece ser debatido seriamente sem perder de vista que uma fortuna como essa não aparece a qualquer momento. Debate sem gritaria, por favor!

Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano. http://blogdoalexandrusolomon.blog.terra.com.br

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