Seção: Opinião.
Arquivos de 'Opinião'
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Plantou um livro |
Por Xico Sá
O homenzinho cumpriu a liturgia terrena: escreveu um livro, fez um filho e plantou uma árvore. O livro teve mais uma edição gigante e derrubou outras árvores; o filho nunca passou de um coqueiro que dá coco, embora tivesse surtos exóticos de siriguelas, pitombas, jaboticabas, umbus e oitis; a árvore foi à escola e quase morreu de homenagens no dia árvore.
O raro volume do livro que foi parar no sebo matou uma velhinha de espirro; o filho em vez de estar roubando e matando por ai inventou de ser juiz de direito; a árvore virou lenha da pizza margheritta que tanto une os bons amigos nos paulistanos domingos.
O livro era de auto-ajuda e fez sorrir a exímia secretária bilíngue; o filho era imbecil, mas funcionava como um poodle para alegrar as visitas; a árvore, no seu corte mais imprestável, virou um porrete, arma quente nas mãos de um justiceiro de subúrbio.
O livro definitivamente não era o apanhador no campo de centeio e viveu uma vida de desgostos; o filho era o primeiro júnior que sai do ventre de uma bela putana; a árvore gostava da bundinha que encostava no seu caule no sarro do casal domingueiro no parque.
O livro foi retirado às pressas das livrarias por suspeita de plágio descarado; o filho também só dizia frases feitas e adágios populares; a árvore se achava a própria macieira que deu a maçã que despencou no coco do sr. Isaac Newton.
Fonte: Blog O Carapuceiro / Foto: Google Imagem
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Alimentos para a vidaSeção: Opinião. |
Por Maria Berenice Dias
Enfim está garantido o direito à vida mesmo antes do nascimento.
Outro não é o significado da Lei 11.804 de 5/11/2008 que acaba de ser sancionada, pois assegura à mulher grávida o direito a alimentos a lhe serem alcançados por quem afirma ser o pai do seu filho.
Trata-se de um avanço que a jurisprudência já vinha assegurando. A obrigação alimentar desde a concepção estava mais do que implícita no ordenamento jurídico, mas nada como a lei para vencer a injustificável resistência de alguns juízes em deferir direitos não claramente expressos.
Afinal, a Constituição garante o direito à vida (CF 5º). Também impõe à família, com absoluta prioridade, o dever de assegurar aos filhos o direito à vida, à saúde, à alimentação (CF 227), encargo a ser exercido igualmente pelo homem e pela mulher (CF 226, § 5º). Além disso, o Código Civil põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro (CC 2º). Ainda assim a tendência sempre foi reconhecer a obrigação paterna exclusivamente depois do nascimento do filho e a partir do momento em que ele vem a juízo pleitear alimentos. Agora, com o nome de gravídicos, os alimentos são garantidos desde a concepção. A explicitação do termo inicial da obrigação acolhe a doutrina que de há muito reclamava a necessidade de se impor a responsabilidade alimentar com efeito retroativo a partir do momento em que são assegurados direitos ao nascituro.
A lei enumera as despesas da gestante que precisam ser atendidas da concepção ao parto (2º): alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis a critério do médico. Outras podem ser consideradas pertinentes pelo juiz. Bastam indícios da paternidade para a concessão dos alimentos que irão perdurar mesmo após o nascimento, oportunidade em que a verba fixada se transforma em alimentos a favor do filho. Como o encargo deve atender ao critério da proporcionalidade, segundo os recursos de ambos os genitores, nada impede que sejam estabelecidos valores diferenciados vigorando um montante para o período da gravidez e valores outros a título de alimentos ao filho a partir do seu nascimento.
De forma salutar foram afastados dispositivos do projeto que traziam todo um novo e moroso procedimento, o que não se justificava em face da existência da Lei de Alimentos. Permaneceu somente uma regra processual: a definição do prazo da contestação em cinco dias (7º). Com isso fica afastado o poder discricionário do juiz de fixar o prazo para a defesa (L 5.478/68, 5º, § 1º). A transformação dos alimentos em favor do filho ocorre independentemente do reconhecimento da paternidade. Caso o genitor não conteste a ação e não proceda ao registro do filho, a procedência da ação deve ensejar a expedição do mandado de registro, sendo dispensável a instauração do procedimento de averiguação da paternidade para o estabelecimento do vínculo parental.
A lei tem outro mérito. Dá efetividade a um princípio que, em face do novo formato das famílias, tem gerado mudanças comportamentais e reclama maior participação de ambos os pais na vida dos filhos. A chamada paternidade responsável ensejou, por exemplo, a adoção da guarda compartilhada como a forma preferente de exercício do poder familiar. De outro lado, a maior conscientização da importância dos papéis parentais para o sadio desenvolvimento da prole permite visualizar a ocorrência de dano afetivo quando um dos genitores deixa de cumprir o dever de convívio. Claro que leis não despertam a consciência do dever, mas geram responsabilidades, o que é um bom começo para quem nasce. Mesmo sendo fruto de uma relação desfeita, ainda assim o filho terá a certeza de que foi amparado por seus pais desde que foi concebido, o que já é uma garantia de respeito à sua dignidade.
Maria Berenice Dias - Advogada especializada em Direito Homoafetivo, Famílias e Sucessões - Ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do RS - Vice-Presidente Nacional do IBDFAM - www.mariaberenice.com.br
Foto: Google Imagem
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Clubes de AlegoriasSeção: Opinião. |
Por Leonardo Dantas Silva
O carnaval das elites
Nos anos oitenta do século XIX o noticiário dedicado ao carnaval passou ocupar um maior espaço na imprensa do Recife. O passeio dos mascarados, a pé ou em carros puxados por cavalos, enchia de colorido às ruas, sendo constante as reclamações contra os cavalarianos que, no intuito de mostrar as suas montarias, andavam em desenfreados galopes pelas ruas do centro da cidade, chegando até promover cavalhadas nas ruas do Imperador e da Praia. O gosto pelo carnaval europeu e a necessidade de separação de classes sociais fez surgir, os Clubes de Alegorias e Críticas que passaram a ser presença esperada todos os anos. Em 1882 surgiu o Club 33, cujo jornal vem a circular no mês de março daquele ano, seguindo-se do Club Cavalheiros da Época, que vem aparecer quatro anos depois, com seus carros alegóricos, ricas fantasias, estandartes de veludo bordado a ouro e pedrarias, fanfarra de clarins, orquestras e alegorias com críticas alusivas à política e aos costumes.
Essas sociedades, antecessoras do nosso atual Clube de Máscaras O Galo da Madrugada (na verdade também um clube de alegorias), eram formadas por pessoas pertencentes às classes de maior poder aquisitivo e vinham às ruas em carros de tração animal, ladeados por esquadrão de cavalarianos. O Diario de Pernambuco, em sua edição de 6 de março de 1886, traz a seguinte notícia:
Cavalheiros da Época — Com essa denominação organizou-se um clube carnavalesco que fez imprimir uma Saudação às moças bonitas do Recife, em versos rimados, obsequiando-nos com um exemplar, que, por a devida vênia, aqui transcrevemos: I - Jovens formosas, gentis / Mimosas p’erlas d’ ofir, / O Deus Momo vos saúda / Vaticinando o porvir; / E vos convida à folia / Insana, que tripudia, / Com fervente animação; / Libando na vítrea taça / O prazer que a população / Goza em magna expansão ! [….]
Os Cavalheiros da Época faziam imprimir, a exemplo de outros congêneres, um bem cuidado jornal, O Carnaval (1889), que depois mudou o título para O Polichinello (1890), seguindo-se depois de O Pierrot (1892), registrando-se outros números até 1937, fazendo-se assim se anunciar no carnaval de 1899, no Diario de Pernambuco de 14 de fevereiro:
Os Cavalheiros da Época desfilaram, com seu extenso e brilhante préstito, diante do nosso escritório de redação, cerca de 5 horas da tarde. O préstito era precedido de um esquadrão de muitos cavaleiros, abrindo a marcha dois clarins, anunciando a sua passagem. Seguiam-se os carros conduzindo estandarte, diretoria, bonitas alegorias e críticas que muito agradavam.
Em 1893 surgiu do Clube de Alegorias e Críticas Philomomos, formado por funcionários da Alfândega do Recife e altos comerciantes do bairro portuário que, segundo Mário Sette, “foi a sociedade de maior destaque do Recife de então”. No mesmo ano fazia editar um primoroso jornal, rico pelas ilustrações em litogravuras, impresso no Atelier Miranda, in folio, que vem a circular até 1904, registrando-se onze números especiais, havendo na coleção do Arquivo Público Estadual um número dedicado ao carnaval de 1915.
Aos Philomonos seguiram-se os Philocríticos, cujo jornal circula em números especiais ilustrados entre 1902 a 1906, havendo edições 1920-21, denominando-se a agremiação de Philocríticos de Campo Grande. Outras sociedades vêm despontar no carnaval do Recife daquele final de século Cavalheiros de Satanás, Filhos da Candinha, Quatro Diabos, Cara-Dura (surgido em 1901 e com jornal carnavalesco a partir de 1906) , O Club P. M 1., cujo jornal carnavalesco surgido em 29 de janeiro de 1902, que circulou até o carnaval de 1907, se intitulava “órgão dos fracos”, ou no depoimento de Apolônio Gonçalves de Melo, in Antologia do Carnaval do Recife (1991), “foi fundado como pilhéria aos homens que não tinham mais vitalidade”.
Segundo a mesma fonte, esses clubes de alegorias “nos seus carros muito altos vinham [traziam] mulheres seminuas, bonitas e com belas e riquíssimas fantasias. No carro-chefe seguia a diretoria e atrás o carro que conduzia a fanfarra a tocar Zé Pereira e outras marchas”.
E descrevendo um desses desfiles, nos presta o seguinte depoimento: “os clubes ornamentavam quatro ou cinco carros para a apresentação. Seus cenários eram espetaculares. O último carro tinha a forma de um palanque com grade e uma urna em forma de guarita. Nesse carro, usava a palavra um orador fantasiado, fazendo críticas às empresas particulares e ao poder público quando estes praticam injustiças e erros administrativos. Acompanhavam esses carros um grande número de pessoas aplaudindo os oradores. Depois, vieram outros clubes como: Nove e meia do Arraial, Deus Momo, Democratas, etc.” 2
E mais recentemente Dragões de Momo, dirigido pelo jornalista Oscar Melo, O Homem da Meia Noite (1931), seguindo-se outros ainda em atividade em cidades do interior de Pernambuco, como o Camelo e o Leão, hoje marcas inconfundíveis do carnaval de Vitória de Santo Antão.
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O Recife e o CapibaribeSeção: Opinião. |
Por Leonardo Dantas Silva
No princípio, era o mar.
A baía, onde está localizada a planície flúvio-marinha do Recife, estendia-se da ponta rochosa do Cabo de Santo Agostinho, ao sul, até o sopé das colinas de Olinda, ao norte.
As terras de aluvião, trazidas pelas enxuradas dos deltas dos rios Beberibe, Capibaribe, Tejipió, Jaboatão e Pirapama, durante cerca de cinco milhões de anos, vieram formar esta planície quaternária erguida entre as colinas terciárias e os arrecifes que detém a fúria do mar.
A um só tempo em que o mar construía suas praias e restingas, os rios, na observação de Tadeu Rocha, “formavam ilhas e coroas, por entre os quais passaram a divagar, lançando braços em muitas direções”, enquanto que o manguezal facilitava a sedimentação e a fixação dos aluviões.
O principal formador desta paisagem, o chamado Rio das Capivaras, o nosso conhecido Capibaribe, sempre despertou as atenções dos naturais da terra e viajantes, sendo uma espécie de marca registrada do Recife, ao longo desses últimos quatro séculos. Vindo dos longínquos contrafortes da Serra do Jacarará, em terras do município de Jataúba, passando pelas zonas do Agreste e mata de Pernambuco, em contato direto com engenhos de fogo morto e usinas de açúcar, ele chega ao Recife espreguiçando-se por entre as barreiras de São Lourenço da Mata.
Entra por terras do engenho São João da Várzea, onde o artista Francisco Brennand instalou sua oficina; espraia-se pelo Sertãozinho de Caxangá, lembrando o primeiro alumbramento do poeta Manuel Bandeira; segue pelas terras de Dois Irmãos e Apipucos, onde Gilberto Freyre produziu o melhor de sua obra.
Preguiçosamente o “cão sem plumas”, parece falar pela boca do poeta João Cabral de Melo Neto: “A gente da cidade / que há no avesso do Recife / tem em mim um amigo, / seu companheiro mais íntimo. / Vivo com esta gente, / entro-lhe pela cozinha; / como bicho de casa / penetro nas camarinhas”. . . Sem muita pressa, segue o seu caminhar, passando pelo Barbalho, Monteiro, Caldeireiro, Bom Gosto e Poço da Panela, de onde tantas vezes transportou os escravos que buscavam a liberdade em barcaças de capim, cuidadosamente fretadas pelos abolicionistas do Clube do Cupim.
Mansamente, atinge as terras dos antigos engenhos Cordeiro e da Torre, deixando Casa Forte e Santana em sua margem esquerda, iniciando-se, assim, através da parte poética da cidade: Cais do Cemitério, Cais do Vintém, Porto dos Cavalos, Jaqueira, Ponte D’Uchoa, Cais Ligeiro, Porto Jacobina, Capunga, Derby; ficando a Madalena, na margem direita olhando para o Paissandu no outro lado.
Ao chegar ao extremo sul da outrora Ilha do Retiro, o Capibaribe divide-se em dois: o seu braço meridional, contornando as ilhas do Maruim e Joana Bezerra, vai ao encontro das águas do Tejipió (trazendo em seu bojo o Jiquiá e o Jordão), em terras dos Afogados, para depois contornar a Cabanga e desaguar na bacia do Pina; em seu outro braço, o “papa estrelas” segue o seu curso, separando a Boa Vista da Ilha de Santo Antônio.
Assim, ele vai se despedindo do Cais da Aurora, do Cais da Rua do Sol, do Cais do Palácio, do Cais do Apolo, do Cais do Abacaxi, do Cais da Alfândega e do Cais de Santa Rita.
Já trazendo em seu bojo as águas do Beberibe, após passar por uma infinidade de pontes, que são como braços a unir todo um povo, o Capibaribe vai de encontro ao Oceano Atlântico, deixando em sua margem esquerda o primitivo “Porto dos Navios” que, nos primeiros anos do século XVI, viu nascer o Recife.
Estas imagens do Recife, cortada pelos rios, com suas pontes e a muralha de arrecifes como a deter a fúria do mar, sempre fascinou a todos que chegam a esta cidade. Assim aconteceu com Gonçalves Dias que, ao saudar a terra pernambucana, viu no Recife a “Veneza Americana transportada, / Boiante sobre as águas”…
Joaquim Nabuco, porém, comparou o Recife a Veneza: “como Veneza, é uma cidade que sai da água e que nela se reflete, é uma cidade que sente a palpitação do oceano no mais profundo dos seus recantos; como Veneza, ela tem um céu azul que parece lavado em suas águas, como se lavam os navios de grandes nuvens brancas como toldos, como Veneza basta uma canção na água e uma bandeira solta ao vento para dar-lhe aspecto festivo e risonho, e, por fim, como Veneza ela tem um passado que a coroa como uma auréola e que brilha ao luar sobre suas pontes, e as suas torres como a alma de uma nacionalidade morta!”.
Castro Alves, quando estudante na Faculdade de Direito, ao exaltar Pedro Ivo, surpreendeu o Recife “dormindo imenso ao luar, / com os olhos quase cerrados, / com os lábios quase sem falar. / Do braço o clarim / - o punho no sabre extenso, / de pedra - Recife imenso / que rasga o peito do mar”.
Leonardo Dantas Silva - Jornalista e escritor
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Maurício de Nassau, o outro…Seção: Opinião. |
Por Leonardo Dantas Silva
Diante do quadro do pintor Joost Cornelis Droochsloot (c. 1586-1665), retratando a tomada da Praça de Utrecht aos espanhóis pelo príncipe Maurício de Nassau, pertencente ao acervo do Instituto Ricardo Brennand, me veio à lembrança algumas críticas feitas a mim por certos estudiosos do Recife quando pela vez primeira fiz referência a tal personagem.
Escrevia eu sobre a chegada a Pernambuco de certo “presente de grego” enviado ao Conde de Nassau, governador do Brasil Holandês (1637-1644), pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais de Amsterdã em 1639. Em vez dos 3.600 soldados que houvera solicitado, lhes mandaram 1.600 infantes sob o comando do general polonês Christoffel d’Artischau Arciszewsky; militar de grande conceito mas que entrara anos antes em rota de colisão com mesmo João Maurício de Nassau.
Era o general Arciszewsky um nobre polonês, cioso de suas qualidades de militar e de intelectual, que, em 1624, aos 32 anos, veio integrar o exército do Príncipe Maurício de Nassau, então em guerra contra a Espanha, e cinco anos mais tarde, se transfere para o Brasil, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais.
Pretendia ele o cargo de Governador do Brasil Holandês, mas ao ser preterido em 1636 pelo Conde de Nassau, se julgou tratado com tanta injustiça que, no final do ano seguinte, já se encontrava de retorno à Holanda.
Como se vê, tratava-se um veterano nas lutas da Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648), tendo servido sob o comando do Príncipe Maurício de Nassau (1567-1625); um homônimo do Conde João Maurício de Nassau (1604-1679), daí a confusão dos “dois Maurícios” em nossa história.
Graças a pouca leitura dos meus interlocutores, foi o meu texto objeto de pesadas críticas, para as quais nunca foi me dado o direito de defesa.
Para melhor compreensão, acerca da semelhança de nomes e de títulos em nossa narrativa, o Príncipe Maurício de Nassau (1567–1625), aqui citado, era o filho de Guilherme, o Taciturno (1533–1584), este por sua vez chefe da revolta que separou os Países Baixos do reino de Espanha.
Era Guilherme um nobre também originário da casa de Nassau-Siegen, nascido no condado de Dilemburgo em 24 de abril de 1533, que, por nomeação de Filipe II vem a assumir as funções de stathouder [espécie de administrados plenipotenciário] das províncias da Holanda, Zelândia e Utrecht, transformando-se depois no fundador da Casa de Orange.
Ao ser assassinado em 1584 ele deixa três filhos, originários dos seus quatro casamentos. Com a sua morte, a sucessão da Casa de Orange se dá através dos príncipes Filipe Guilherme, que vem a ser substituído, em 1618, pelo seu irmão Maurício, este, por sua vez, não deixou herdeiros, e vem a ser sucedido pelo seu irmão mais novo, o príncipe Frederico Henrique (1584–1647), responsável pela ascensão do conde João Maurício de Nassau ao governo do Brasil Holandês em 1636 .
Durante o governo do príncipe Maurício de Nassau, os exércitos dos Países Baixos na Guerra dos Oitenta Anos, lutavam de forma desorganizada e pouco eficiente. Coube a ele organizar o corpo de tropa, o que lhe garantiu o sucesso em várias batalhas importantes; que levaram a uma trégua de 12 anos, terminada em 1621
Curioso é que um dentre esses três fundadores da Casa de Orange, o Príncipe Maurício de Nassau, veio a ser padrinho do seu primo Conde João Maurício de Nassau-Siegen, nascido em 17 de junho de 1604, ocasião em que presenteou seu afilhado com a bacia de prata dourada que, em 1665, passou para a igreja reformada de Cleve e hoje se encontra em coleção particular na Inglaterra
O quadro em questão, recentemente adquirido pelo industrial Ricardo Brennand, retrata a tomada de Utrecht, uma das vitórias das tropas do Príncipe Maurício de Nassau (1567-1625), quando das guerras de independência dos Países Baixos com a Espanha (1568-1648), registrada pelo pincel de Joost Cornelis Droochsloot, artista então residente naquela cidade.
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O Ginásio PernambucanoSeção: Opinião. |
Por Leonardo Dantas Silva
Construído obedecendo a uma linguagem classicista, escola arquitetônica que dominava as construções do Brasil no Segundo Reinado, o prédio do Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, destinava-se, inicialmente, aos alunos do Liceu Provincial de Pernambuco, então espalhados em dependências de outras instituições. Obedecendo, no seu projeto primitivo, ao traçado do engenheiro José Mamede Alves Ferreira, o prédio do Ginásio Pernambucano teve a sua construção iniciada em 15 de agosto de 1855, tendo suas obras se prolongado até 1868.
Governava Pernambuco o conselheiro José Bento da Cunha e Figueiredo que, em 15 de maio de 1855, sancionou a Lei n.º 369 determinando a construção do novo prédio destinado à acomodação do Ginásio Pernambucano, que logo se transformou “num belo e vasto edifício, um dos mais notáveis estabelecimentos de ensino de humanidades e ciências superiores do norte do país”.1
No seu projeto inicial, o prédio daquele estabelecimento de ensino apresentava-se com três pavimentos, obedecendo a uma volumetria inspirada no Palácio Real de Estocolmo (1697-1754), cujo traço tem a assinatura de Nicodemus Tessin, filho. Por medida de economia, o governo provincial optou pela execução de um projeto modesto, em que foram preservadas as linhas-mestras de José Mamede Alves Ferreira, com a supressão do terceiro pavimento.
No seu projeto, José Mamede Alves Ferreira distribuía as salas do Ginásio em três pavimentos. No térreo, seriam instalados as salas de aula, o museu, a biblioteca, a secretaria, a capela, os gabinetes de física e química, a sala dos professores, do porteiro, o laboratório, os aposentos dos criados, a cozinha, a despensa e o refeitório. No primeiro pavimento estariam localizadas as salas de estudos, salas das congregações e aposentos do regedor; ficando reservado o segundo andar para os dormitórios, enfermaria, prisão, os aposentos do censor, do esmoler, dos repetidores, mordomo, etc. O projeto também contemplava uma vasta área para o pomar, um jardim botânico e até uma piscina, para banhos e aulas de natação, a ser suprida com água coletada do rio Capibaribe. 2
Iniciada a construção do novo edifício, em princípio pensou-se em erigir apenas o pavimento térreo, o que provocou o afastamento de José Mamede Alves Ferreira da direção das obras. Em 1857, porém, tal medida foi definitivamente afastada pelo presidente da província, Sérgio Joaquim Teixeira, que determina a construção do primeiro andar, enquanto as obras de construção se arrastaram por onze anos e nelas foi aplicada a soma de 310:000$000, considerada bastante elevada para a época.
Em 15 de novembro de 1859, o imperador D. Pedro II visitou as obras e, em registro no seu Diário, se mostrou escandalizado com os gastos, até então de 157:000$000, que pela avaliação da planta e material empregado não chegariam a 90:000$000.
Dentro de suas linhas clássicas, na qual se sobressaíam duas carreiras de janelas encimadas por arcos romanos, destacavam-se na fachada do prédio do novo Ginásio Pernambucano duas colunas em arenito, ladeando a porta principal, encimadas no pavimento superior por um frontão triangular.
Observa Alberto Sousa que, no projeto modificado, “o ginásio ficou sem a imponência pretendida e perdeu muito em movimentação volumétrica”.
Nele, o tramo central ficava encimado por um amplo frontão triangular, cego e liso, e este foi mantido na fachada modificada que foi construída. Mas como o andar superior foi eliminado na construção, tal componente ganhou um peso no desenho muito maior que o planejado, tornando-se mesmo, por sua posição e por suas características contrastantes com o resto da fachada, a parte mais destacada desta. 3
No prédio do Ginásio Pernambucano dos nossos dias, o visitante vai encontrar um primitivo relógio redondo e um sino, que, no passado, anunciavam o início e o fim das aulas. No seu interior, um lindo conjunto de canapés confeccionados, possivelmente, por Francisco Manuel Béranger (1820-1857), responsável pela popularização do estilo Luís Felipe no Brasil, dando origem ao chamado mobiliário pernambucano. Do conjunto sobressai-se um canapé que tem, no seu espaldar, cornucópias com frutas da terra – mangas, cajus e maracujás –, originário, segundo a tradição, do Teatro de Santa Isabel. Ainda no Ginásio Pernambucano, iremos encontrar o mais importante Museu de História Natural de Pernambuco, organizado em 1861 pelo naturalista francês Louis Jaques Brunet, onde se encontram catalogadas 8.000 peças da pré-história nordestina, além das seções de zoologia, botânica, anatomia, cristalografia e mineralogia.
Com a sua frente voltada para a Rua da Aurora, o Ginásio Pernambucano conserva a imponência do classicismo que tomou conta das construções do Recife, a partir da primeira metade do século XIX. Conservando sua planta retangular, tem suas salas de aula janelas abertas para o exterior, o que facilita a iluminação natural, estando o conjunto dividido em quatro partes, com o térreo e o primeiro andar formando dois pátios externos e um pátio interno, este ladeado por pórticos nos dois pavimentos.
O conjunto encontra-se inscrito como Monumento Nacional no livro das Belas Artes v. 2, sob o nº562 em 19 de julho de 1984 (Processo n.º 1101-T/83).
Considerações:
¹ Costa, F. A Pereira da. Anais pernambucanos. 2. Ed. Recife: Fundarpe, 1983.v.2, p. 204.
² Montenegro, Olívio. Memórias do Ginásio Pernambucano. Recife: Assembléia Legislativa, 1959. p. 119.
³ Sousa, Alberto. O classicismo arquitetônico no Recife Imperial. João Pessoa: Ed. Universitária da Paraíba, 2000. p. 99.
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Tevê à ManivelaSeção: Opinião. |
Por Celso Fernandes
Por onde andará Baby Jane?
De verdade, de verdade mesmo o que muita gente anda é fazendo bico pela soma de números não alcançados em determinados setores. As urnas falaram, minha gente! Agora é de ´´segundinha“. Aliás, na malvadeza da palavra do que já picharam por aí, nada de teatrinhos ou monólogos insossos, cor ou consistência: ´´bico não é só pra tucano e peroba não dá tanto brilho assim“. E que empurrar carroça na subida é que virou o grande problema em questão.
Já que não vai mais ter free way nem pedalinho nos córregos públicos, ficamos com os conformes do dito do são Expedito. Vão debater o que agora? No repeteco vai ser igual ao Vale a Pena Ver (ou Ouvir) de Novo? De repente ficamos atentos é no quarteto ´´Baraka Obama versus John MacCain“ & ´´Sarah Palin versus Joseph Biden“, onde só entendemos: ´´Very well, very good“, sem a necessidade do fiel tradutor google-maníaco. Ganharam ibope até na calçada da fama. Tanto que ouvi dizer que se a governadora do Alaska não levar o cargo de vice-presidente dos EUA - uma vez que há longos 20 anos ela foi candidata a mis - pode sair como veio ao mundo naquela famosa revista masculina de grandes descobertas. Claro, dela sair coberta é que não pode, né? Vou comprar toda a edição e nada de querer ver Joãozinho algum lendo escondido atrás do muro, claro, puxando da memória. Afinal, dizem os mais entendidos no assunto que se você alisar o pinto quando novo certamente mais tarde ele vira um bom frango a passarinho e que com tamanha modernidade na geração da informática a galinha caipira foi a única que não perdeu a vergonha na hora de cacarejar.
Quer outra? E se antes também rimos (apenas, fazer o quê?) com aquela dança nada ensaiada da deputada de Brasília (Sic), quem não se lembra?, perto de outros tantos carnavais pós popularizada dança da periquita que há muito caiu na Net, ora andam mais é estreando a ´´dança do passinho“. Dizem até que os verdadeiros amigos da onça não são apenas os treinadores do histórico circo Playmobil nem tampouco do Vostok. Comer tanta marmelada vale o quanto pesa, hã? A tortura para Hamlet na concepção da peça shakespearena, sucumbiu há muito dentro do mundo virtual. Mas quem anda com a macaca a solta é a Chita que passou bem além da casa dos 70. Virou celebridade nas costas do Tarzã a preço de banana.
E mais! Com a estréia da nova novela global, ´´Negócio da China“, o negócio é mesmo do Brasil. Eles começam tudo lá fora e caem em peso por aqui. O que foi, tão querendo transferir uma vez mais a dívida? E eu só quero ver quando o elenco aí em foco baixar na nossa disputada rua 25 de Março paulistana pra comprar uns produtos extras por causa da crise mundial. Amantes à moda antiga? Negativo. ´´Sexteto amoroso“ em novela brasileira é o que não falta. O que falta de verdade mesmo é descobrir como é que aquele discípulo de Shao Lin (admita-se o china Liu da chanchada do Miguel Falabella), logo no primeiro capítulo, conseguiu se safar de 50 chineses de uma vez só. Um pen drive por um bilhão de euros no rebaixamento do dolar viraram trocados na conta da Suíça. Pura mania de grandeza dos nossos autores ou que assistiram muito cinema antes da invenção da roda. Será que o Law Kin Chong vai aparecer por lá, hein? E não queiram me dizer que no meio de tantos efeitos computadorizados os ´´chinas“ ficaram com problema de visão. ´´Coregas“ de trabalho ou agiram a mando da diretoria? Nada elementar, meu caro e fiel telespectador cativo na poltrona. Taí novamente aquele velho ditado da novela da minha vida, e da minha vida que se tornou uma novela. E, matando a jogada pra maquiavélica Baby Jane e sua irmã Blanche (Bette Davis e Joan Crawford, 1962), vivendo sob o mesmo teto: ´´What Ever Happened to Baby Jane?“. Se não entendeu, passa a ficha pro professor google que ele te responde rapidinho na ponta da língua. Por hora, como a Grazi Massafera está na fita, vou fazer o meu negócio rapidinho. Fiquem coligados, irmãos!
Celso Fernandes, jornalista, poeta e escritor, autor de ´´As duas faces de Laura“, ´´O Sedutor“, Sonho de Poeta“ (Ed. Edicon), entre outros. Colunista de Moda, Cultura & TV, escreve semanalmente pela APACOS (Associação Paulista dos Colunistas Sociais) em São Paulo, jornais, revistas e sites relacionados às áreas. http://modarougebatom.blog.terra.com.br
Foto: Divulgação
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Vinhos :Investimentos e prestígioSeção: Opinião. |
Por Ricardo Almeida
Nos últimos dias acompanhamos diversos comentários de jornalistas e colunistas a respeito dos vinhos comprados para o consumo do presidente Luís Inácio Lula da Silva. É interessante notar que todas as opiniões giram em torno da comparação com as compras do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e também se os vinhos consumidos seriam de melhor ou pior qualidade, levando-se em consideração apenas o preço ou o país de sua origem. Infelizmente, estamos perdendo um importante momento para discutir a realidade atual do consumo de vinhos no Brasil e a qualidade dessa bebida produzida aqui.
O setor da Vitivinicultura Brasileira passa por um momento crítico, um momento de impasse. Os produtores nacionais acompanham com preocupação o fato de o brasileiro tratar com pouca atenção o vinho elaborado em seu próprio país. Na saudável busca por conhecer novas experiências em vinhos, os brasileiros têm procurado degustar vinhos provenientes de várias regiões do mundo.
Porém movidos por informações questionáveis, são levados a consumir qualquer tipo e marca de vinho, independentemente do local de sua produção, de sua real qualidade e, o mais grave, sem ter o conhecimento necessário acerca do posicionamento de preços daquele produto em seu próprio país de origem. Muitas vezes provam garrafas estrangeiras que aqui são transformadas em ícones da enologia, mas que em seus países de origem não passariam por meros vinhos de garrafões.
Não é raro encontrar algumas pessoas, que muitas vezes se dizem entendidas em vinhos, elogiarem produtos australianos, sul-africanos e neozelandeses, entre outros de procedência de países pertencentes ao chamado Novo Mundo do Vinho. Mas não conseguem se debruçar com a mesma atenção sobre os vinhos produzidos no Brasil, país que também faz parte do tal Novo Mundo do Vinho. Não demorará para encontrarmos esses mesmos críticos aconselhando o consumo de caros vinhos da China, um país cuja produção de vinhos finos é muito mais recente que a do Brasil.
O fato de a CPI dos Cartões Corporativos ter descoberto notas fiscais da compra de vinhos nacionais para a adega do Palácio do Planalto pode ser um fato importante. Pode ser o sinal de que o Governo Federal, enfim, começou a olhar com um pouco mais de atenção para o setor produtivo nacional, servindo vinhos do Brasil nos eventos e reuniões oficiais. Embora denote prestígio ao nosso vinho, essa iniciativa tem que ser encarada como apenas e tão somente um primeiro passo.
O setor da Vitivinicultura Brasileira precisa, na verdade, que o Governo Federal enxergue como um importante ativo da economia brasileira a produção de vinhos no país. A título de exemplo, lembro que o vinho da uva Shiraz, comprado pelo presidente Lula a R$ 16,90, sofre em torno de 50% de carga tributária em seu preço final. Este mesmo produto poderia estar sendo vendido a menos de R$ 10,00 se recebesse tratamento semelhante ao que é dispensado pelo Governo a um vinho da mesma uva proveniente de algum país pertencente ao Mercosul. Isso porque os vinhos dos países do Mercosul não sofrem tributação alguma para entrar no Brasil. Por isso mesmo, vinhos argentinos e chilenos vendem mais no Brasil do que os produzidos aqui. Os nossos produtores de vinhos buscam competitividade no mercado. Mas não poderão resistir por muito tempo, competindo em tamanha desvantagem dentro de sua própria casa.
Sugiro ao Governo Federal que se mire no exemplo da Europa. Lá, num momento decisivo da Economia, elegeu-se o setor dos vinhos como prioridade, e derramou-se milhares e milhares de euros para a renovação de seus vinhedos e a melhoria de suas vinícolas. Hoje com vinhos novos, mais modernos e em maior quantidade, a Europa tem conseguido aumentar o volume de exportações com preços bastante competitivos para os vários países do mundo, inclusive para o Brasil.
A Europa também nos dá outro exemplo. Os vinhos de qualidade que eles produzem e que movimentam o setor em todo o mundo não custam para o consumidor mais que cinco euros a garrafa. E os países que os produzem, têm os seus próprios mercados como base de sua sustentação. Não costumamos ver portugueses, italianos, franceses, e até argentinos e chilenos bebendo vinhos que não sejam de seu próprio país.
Por fim, é importante ressaltar o esforço do setor produtivo brasileiro, que vem ao longo dos últimos 10 anos investindo de forma decidida na qualidade de seus vinhos. Não tem medido esforços para enviar profissionais brasileiros para fazerem cursos de especialização nos grandes centros de estudo do vinho. Ao mesmo tempo em que tem trazido ao Brasil profissionais de viticultura e enologia de países tradicionais. Enfim, o setor tem buscado se adequar aos padrões internacionais de qualidade.
As respostas a este esforço já estão aparecendo. Os vinhos do Brasil têm conquistado inúmeros destaques ao redor do mundo. Mas para a consolidação definitiva deste setor, faltam ainda dois importantes apoios: o do Governo Federal, com uma nova política fiscal para induzir a produção, e a do consumidor nacional, descobrindo o valor de seu produto. Com isso, não tenho dúvida, o vinho do Brasil se tornará o Vinho Nacional.
Ricardo Almeida é diretor comercial da Vinícola Vale do São Francisco, detentora da marca Botticelli.
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Uma Saúde Ainda MelhorSeção: Opinião. |
Por Jayme Asfora
Mais uma vitória histórica para toda a classe médica pernambucana. É desta forma que pode ser considerado o acordo com o Governo do Estado aprovado na última quarta-feira (após a mediação da OAB), pelos médicos que atuam no setor estadual de Saúde. O fim do impasse também foi uma vitória de toda a sociedade, principalmente, da população mais carente que necessita constantemente recorrer às precárias unidades públicas de saúde para garantir assistência médico-hospitalar.
Fortalecidos ainda mais depois do fechamento da negociação, os médicos voltam ao seu trabalho com a certeza de que a luta – não só por melhores salários, mas sobretudo por melhores condições de trabalho e de atendimento – foi reconhecida e apoiada por diversos e amplos segmentos da nossa sociedade. O movimento médico e as corajosas e legítimas demissões, entregues ao Governo fizeram acender, mais uma vez, o alerta, dos deveres que são impostos ao Estado por princípios constitucionais. Dever de garantir o serviço público de saúde; provido que deve ser por uma boa assistência.
Assim, o resultado obtido nessa campanha representa mais um passo rumo ao cumprimento pleno desses preceitos normativos, sobretudo o artigo 196 da Constituição Federal (citado anteriormente em artigo por mim publicado no JC em 15.7.08; momento no qual já se anunciava, com nitidez, a gravíssima crise ainda hoje a perdurar). Artigo onde está determinado que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”.
Isto porque, no consenso construído entre os médicos e o Estado de Pernambuco, além da questão salarial, ainda foi garantida a realização de ações como melhoria na estrutura das emergências; garantia de assistência efetiva de UTIs a pacientes graves (com mais leitos); instalação de unidades de pronto-atendimento com quadro de plantonistas; aprimoramento da política de compra e distribuição de medicamentos (inclusive os excepcionais) para tentar manter estoque permanente de produtos essenciais; reforço do Programa de Saúde da Família; realização de concurso público em, no máximo, quatro meses, entre outras importantes iniciativas.
E foi por terem mostrado união, altivez, dignidade e muito respeito à população pernambucana - sem sucumbir às pressões indevidas - que os médicos obtiveram mais essa vitória.
Sou testemunha, como filho de um médico que dedicou seus melhores anos à Universidade Federal de Pernambuco, e tanto sofreu em laboratórios e ambulatórios públicos, do espírito abnegado e magnânimo que existe impregnado na sua esmagadora maioria.
E do desejo e ideal, comuns à Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco (OAB/PE), de vivermos em um Estado com uma saúde pública à altura da grandiosidade do povo pernambucano.
Parabéns às médicas e aos médicos pernambucanos.
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Que venga el toroSeção: Opinião. |
Por Alexandru Solomon
Curiosidades
Depois de termos constatado que não basta “falar com o Bush”, vale a pena tentar entender o que está acontecendo. Supérfluo recapitular o que todos já sabem. Um monte de gente acreditou em produtos financeiros parecidos com o algodão doce. Sabor agradável e pouca massa. Resultou um terremoto cujas ondas de choque agitarão por um bom tempo o planeta.
Enquanto houvesse trouxas dispostos a acreditar na alta indefinida dos ativos financeiros em vistosas e insuspeitas embalagens, das commodities e dos imóveis tudo ia bem. Bastava repassar (numa boa) a batata quente a um preço maior que o da aquisição. Como era prazeroso fazer as contas ao final do dia e constatar o quanto a fortuna pessoal havia aumentado! À medida que a alta não arrefecia, esse passa-tempo conferia uma ilusão de sabedoria generalizada. Para que o enlevo persistisse, era preciso que novos atores aderissem a essa forma desprovida de risco, prática e segura de enriquecimento. Aparentemente, os tolos sumiram sem aviso prévio e uma porção de sábios ficou com a broxa na mão. O velho Keynes mencionava a dança das cadeiras. Pois bem, parece que os músicos escafederam-se também.
A ilusão das altas indefinidas alimentada por profecias aparentemente infalíveis, (Bovespa a 90.000 em dezembro, dólar a 1,60 na mesma data etc.) tornou mais intenso o desespero daqueles que sentiram na própria pele a ardência do choque com a constatação consagradora do óbvio: As árvores (pelo menos as conhecidas) não crescem até o céu. Possivelmente, alguns engraçados abaixaram o céu, talvez os eternos descrentes autores da profecia sem risco: “um dia a casa cai” encontraram a confirmação de seus vaticínios, ou, quem sabe, o destino “maktubou-nos”. Essa crise, com características inéditas, colocou um ponto final a uma bobagem que tinha a seu favor, a quase unanimidade dos entendidos: “temos agora um ferramental teórico capaz de evitar problemas”. Siglas reluzentes garantiam a permanência num eterno patamar elevado – por sinal, essa tolice havia sido proferida por um ilustre professor de Harvard – Irving Fisher – semanas antes do colapso de 1929. O oba-oba tudo vence… ou quase.
Como resistir à tentação, se Oscar Wilde já disse que era possível resistir a tudo, menos, justamente, à tentação? Resultou essa carnificina, e cá entre nós, se importa saber o que a causou para evitar a repetição das causas, mais importante é cuidar dos efeitos, já que, sabidamente, a memória tende a se apagar, e dentro de algum tempo, nova crise surgirá no bojo da ilusão do: “Agora, sim, está tudo dominado”.
Houve reações bizarras. Alguns acharam de bom-tom decretar – e comemorar – o fim do neoliberalismo, do capitalismo, enfim de tudo isso que está aí. Considerações desse porte vieram não de freqüentadores de bares de periferia, e sim, de economistas do porte de… (melhor não citar). Para não ficar devendo nada a essa brava gente, outros demonstraram um júbilo comparável ao daqueles que festejaram a queda das Torres gêmeas. Era a revanche do terceiro mundo, a gargalhada consagradora no altar do capitalismo predador.
A racionalidade foi convidada gentilmente a retirar-se e restaram algumas pérolas de sabedoria, que lentamente foram se acumulando.
Por aqui, em Pindorama, após vergastarem – não sem razão, diga-se de passagem – a ganância, a irresponsabilidade, a falta de visão e/ou de controle etc. dos responsáveis pela débâcle, desastre, hecatombe e por aí vai, os entendidos passaram a emitir ruídos tranqülizadores contraponto necessário aos agourentos, segundo os quais não sobrará pedra sobre pedra.
Inicialmente, não teríamos que nos preocupar, no máximo, os mais interessados deveriam se dirigir ao presidente Bush. Na falta de explicações convincentes por parte daquele senhor, julgou-se de bom alvitre admitir que, de fato, havia umas marolas que deveriam ser tratadas com desprezo por não dizerem respeito à nossa economia blindada, por uma verdadeira linha Maginot. Quem imaginou (com a desculpa pelo manjado trocadilho) estarmos na posição de privilegiados espectadores lamentará decerto o afogamento dos burros com os quais imergiu na água.
Para não perder a pose, brandimos o escudo das reservas temperadas pelo oceano de petróleo, que a cada má notícia vinda de fora, tornava-se mais profundo e promissor. Quem tem pré-sal, nada teme, a não ser a hipertensão. Objeções tímidas quanto a existir entre aquela incomensurável riqueza e a brava gente prestes a desfrutar dela uma barreira de sal, de tecnologia e de – detalhe apenas – falta de recursos, mereciam quando muito um olhar cheio de comiseração. Enquanto as vítimas: Lehman, Merrill, AIG e companhia bela agonizavam, aqui, debaixo dos trópicos louvava-se a inexpugnabilidade de nossa fortaleza econômica, a ser reforçada brevemente por um prodigioso Fundo Soberano – arma letal no combate às crises, por ser original, ser anticíclico e ser do povo.
Enquanto isso, as commodities encolhem. Pena.
A cotação do petróleo, destinado a bater 200U$ o barril, recua covardemente. Daí, quando caem as ações da Petrobrás – importadora líquida de ouro negro – dizem que é por causa disso. Não deveria ser o contrário?
Um dólar já compra mais de um par de reais. Sadia e Aracruz anunciam prejuízos milionários. “Especularam contra a moeda do País”, afirma Nossopresidente. Sem entrar nas sutilezas das operações – com ou sem gatilho – se perderam por causa da alta das verdinhas parece que apostaram na firmeza do Real. Não?
Vamos ficar calmos. A crise não atravessou o Atlântico, sentencia Nossopresidente. Aí surgem vozes, sempre dispostas a ridicularizar as falas presidenciais, sem perceber que Nossopresidente fazia referência à crise européia – o colapso do Hypo, o Fortis, o Fraquis etc.
E para aumentar a liquidez – eterno paradoxo: uma economia sólida precisa de liquidez – vem nosso Ministro da Fazenda afirmar que faremos uso inteligente das reservas. Ora, fazer uso imbecil das reservas não engrandeceria ninguém.
Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e o recente livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
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Por César Justo
SILÊNCIO ABSOLUTO. MORREU O “SEU” ÍTALO.
UMA PEQUENA HOMENAGEM
Mesmo sem ter conhecido pessoalmente o “Seu” Ítalo, como a maioria chamava respeitosamente o multi profissional de comunicação Ítalo Bianchi, dele ouvi falar, e muito, quando resolvi pesquisar o mercado de Pernambuco. Fiquei encantado com a história, com a experiência, com os exemplos e com a quantidade de profissionais de criação que passaram pelas suas mãos. É por isso que estou me juntando às outras tantas homenagens que lhe estão prestando e mesmo sem ter tido o prazer de uma prosa, despeço-me aqui do talentoso “Seu” Italo, não com um adeus, mas desejando-o a Deus. É isso que eu sinto.
GRUPO ASSOCIADOS
Assisti, na segunda-feira à noite, um bom anúncio do Grupo Associados e seus meios de comunicação. Pena que a produção ainda peca um pouco, talvez por questões de orçamento. Uma boa idéia colocada corretamente, e que passa uma grandiosidade talvez até maior que a realidade, mas supera, e muito, todas as campanhas que os Associados de Pernambuco têm colocado na mídia, com certeza as piores peças dos meios de comunicação. E por que eles não pegam esta campanha nacional e repicam aqui, em Pernambuco, com a assinatura das empresas locais? Vale a pena pensar nisso. É o que eu penso.
PURO AZAR
Existem coincidências que se transformam em verdadeiros desastres de comunicação. Na segunda-feira passada assisti a uma delas. A história foi a seguinte: Um dos telejornais nacionais – não lembro se na Band ou na Globo – abordava as restrições ao crédito, com ampla cobertura para alertar o consumidor sobre os riscos de compras a prazo, juros, escassez de recursos nos bancos, com uma matéria densa, bem produzida, provocando uma certa apreensão entre os telespectadores. Aí veio o intervalo e logo no primeiro brake, um anúncio do Banco do Nordeste oferecia crédito ao comércio num comercial até bem feito, mas com uma mensagem que deixava perplexo os mais atentos. A culpa só pode ser do acaso. Nem o mais atento dos economistas ou analistas de mercado poderia imaginar o desastre desta semana. Imaginem então os planejadores de mídia. É o que eu acho.
BOA OPORTUNIDADE
O Banco Itaú, atento ao mercado e ao seu target de consumo, não perdeu a oportunidade de patrocinar a programação apresentada pela TV Globo nos 50 anos da Bossa Nova (a caixa alta é em sinal de respeito), um dos mais importantes movimentos culturais brasileiros que virou produto de exportação para todo o mundo. O programa conseguiu, com certeza, sensibilizar os maiores e os menores de 60 anos, já que a bossa nova, pelo seu brilhantismo, consegue atrair até os jovens, basta que tenham bom gosto. O filme de 1 minuto é muito bom, apesar de que a letra criada pelo Nizan Guanaes deixa um pedacinho de frustração porque, afinal, quem nasce para Nizan Guanaes, com toda sua competência de empresário e criativo publicitário, nunca vai conseguir chegar perto de ser um Jobim, o autor da letra original. Mas valeu o esforço do meu amigo Nizan. É o que eu lhe disse.
O TIRO PODE TER SAÍDO PELA CULATRA
Vocês já viram, com certeza, a campanha da Odonto System usando a imagem do Russo, aquela figura que animava o programa do Chacrinha (eu era menino e me lembro de como eu o achava feio) e que hoje trabalha com o Luciano Huck. Ao usar a boca murcha do coitado, torna a comunicação grotesca, feia mesmo, já que existem, hoje, soluções de implantes em até 72 horas. A agência declara que queria uma campanha irreverente e ousada, inversa ao da concorrência que mostra belos sorrisos. Acho que existe aí um erro crasso que é a falta do benefício. Colocassem a figura do Russo sorrindo, com dentes, bem penteado, e aí estaria destacado o beneficio porque do jeito que está, o consumidor pode até imaginar que se fosse ao anunciante, perderia os dentes que ainda têm. A campanha, portanto, não fortalece a imagem da marca do cliente, como seria o objetivo. O tiro deve ter saído pela culatra. É o que eu sinto.
FIDELIZAÇÃO
Acho que fidelização é sinônimo de satisfação. A tal fidelização, que todo empresário vive atrás, caminha ao lado da satisfação do cliente em todo o processo de compra: qualidade no atendimento e no produto ou serviço, na informação sobre a empresa, na beleza e funcionalidade da embalagem, na facilidade de encontrar o produto onde seria natural, o que chamamos de distribuição, Satisfação ainda na sua política de preço, na facilidade de troca, enfim, o produto ou serviço perfeito. Quanto maior a satisfação, maior a fidelização. E para quem tem qualquer dúvida do que seja a satisfação, eu digo que o cliente fica satisfeito quando você o surpreende, superando as suas expectativas. Aquele negócio de deixar o cliente encantado não é brincadeira não. É sério. Você encanta e ele não lhe deixa nunca mais. É o que eu acho.
BOA IDÉIA
A Agência África preparou para o sábado passado, uma visita dos familiares dos funcionários à sede da empresa para conhecerem aquele ambiente de trabalho. O foco maior estava nos filhos dos funcionários para que tivessem uma idéia real do que seus pais fazem nos momentos em que deveriam estar em casa, mas que continuam no trabalho, sem hora de terminar, um hábito que não tem como ser resolvido longe das horas extras. A boa idéia veio da área de Recursos Humanos da África, que aproveitou a oportunidade da semana das crianças para esse encontro familiar. Bem que as empresas locais, agências ou não, poderiam seguir a receita. É o que eu sugiro.
BRIGA FEIA
Desde muito tempo que a gente fala e defende que a compra é decidida no ponto de venda, daí a importância do merchandising, das promoções e ações promocionais naquele ambiente de compra para onde estão redirecionando boa fatia das verbas de propaganda. Todos os estudos da POPAI Brasil defendem esta realidade. Só que recentemente, uma pesquisa feita pela agência Ogilvy Action, mostra que nos Estados Unidos, apenas 39,4% das compras feitas por aqueles consumidores são decididas no PDV, enquanto o POPAI defende o índice de 70%, apesar do dado ser de 1995 também naquele mercado. E agora, seu Zé? Das duas uma: ou a mudança no consumidor está sendo ainda mais veloz do que a gente imagina, ou a pesquisa recente é uma defesa das agências de propaganda de trazer para si, de volta, a verba que lhes foi tomada pelas ações no PDV que, naquele ano de 2005, data dos últimos estudos POPAI, já era de 2 bilhões de reais. Os estudos da Ogilvy Action foram feitos também em outros países, incluindo o Brasil, embora não tenhamos, ainda, os números finais, mas vale a pena ficarmos atentos à informação. É o que eu aconselho.
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Por César Justo
CHORANDO DE BARRIGA CHEIA
O jornal que estiver reclamando da vida é porque está chorando de barriga cheia ou é muito mal administrado. Vejam se eu não estou certo. Eles vêm recebendo uma enxurrada de anúncios do mercado de automóveis e do mercado imobiliário, situação que continua até hoje, pois basta ver como andam os cadernos classificados das quintas feiras e domingos. Depois vieram os anúncios dos políticos que, como quem está no mercado da comunicação sabe, são pagos à vista para minimizar os calotes, o que é uma vergonha. A partir de agora começa a guerra das escolas e dos cursinhos, visando alunos para o vestibular de 2009. E, finalmente, o varejo de natal. Com um calendário desses, fica até fácil colocar um oxigênio nos caixas. Ou será que ainda não? É o que eu penso.
PRATICIDADE
Uma das embalagens mais antigas do Brasil está mudando. O fermento em pó Royal, que nossas avós usavam nos bolos do lanche da família está com um visual mais moderno, depois de 85 anos de recall nas cabeças hoje branquinhas pela idade. Mesmo tendo sofrido uma pequena modificação há 5 anos passados, a lata cilíndrica vermelha, com letras brancas, está agora totalmente rejuvenescida, substituída por uma embalagem nova, diferente, de plástico, com formas anatômicas, mais arredondadas, embora mantendo não só as características visuais da embalagem anterior, mas estampando a própria embalagem, em tamanho reduzido, para comprovar que o produto é o mesmo. E tem mais, seguindo a regra de agregar um valor para o consumidor, a tampinha serve também como medidor e equivale a uma colher de sopa. Muito bom. A nova embalagem foi testada com consumidoras e considerada superior à latinha, em todos os atributos pesquisados. Cerca de 86% delas preferiram a nova embalagem em relação à anterior. Muito bom o trabalho da Narita Design. É o que eu acho.
RECALL
Pesquisa recente mostra que os bancos têm os maiores índices de crescimento do recall de suas marcas no Brasil. E não poderia ser diferente. Os investimentos dos bancos em marketing e em propaganda têm aumentado consideravelmente, enquanto as agências que os atendem vivem momentos de rara felicidade criativa. A dúvida, agora, é saber se eles resistirão às turbulências que se avizinham, mantendo suas campanhas no ar, fato que já deve estar na pauta de planejamento daquelas agências. É o que eu temo.
CONSEQUENCIAS
Dizem as más línguas que planejamento não é o forte do mercado de Pernambuco, com raríssimas exceções, mas está na hora de se pensar nas conseqüências da crise americana e seus reflexos em praticamente todos os segmentos da economia. Quem tiver uma boa estrutura de marketing e souber usar suas ferramentas, vai sofrer menos. É preciso avaliar rapidamente as ameaças e as oportunidades que poderão advir daquela crise e buscar soluções rápidas, criativas, às vezes inusitadas, para sobreviver. Usem os recursos tecnológicos ou até modelos do passado, como uma boa sessão de brainstorming para descobrir a saída. Deixar para depois, pode ser fatal. É o que eu penso.
PARA QUEM MORA LONGE DA PADARIA,
O novo lançamento da Sadia vai facilitar a quem mora longe da padaria, como eu, e gosta de comer um pão quentinho no café da manhã. É o minipão francês congelado da Sadia, em pacotes de 10 ou 16 unidades. Para consumi-lo, bastam 15 minutos de forno convencional ou 8 minutos de microondas. É o tempo do banho. Eu vi no Bompreço, mas já deve estar no supermercado de sua preferência. Comprei e gostei. Veja embalagem para facilitar a sua compra. É o que eu como.
A PROPAGANDA PODE SER ENGANOSA
Rolou na internet, esta semana, uma carta recente enviada pelo antigo Ministro das Minas e Energia Alexis Stepanenko, ao ex-Presidente Itamar Franco, sobre a existência das reservas de petróleo do pré-sal. Na carta, o ex-ministro afirma que desde aquele tempo, a Petrobrás já sabia da existência do petróleo, assim como da impossibilidade de extraí-lo por falta de tecnologia já que estão há 3.200 metros de profundidade, o que ninguém até hoje conseguiu alcançar. A notícia é um balde de água fria na “grande descoberta” anunciada pela ministra Dilma Roussef e na nossa expectativa de viver num país melhor. E tem mais, estima-se que aquele petróleo deve ter um API de menos de 30°, talvez 25°, ou seja, é um petróleo pesado, como o da Venezuela, que tem custos mais altos para refinar. Quem viver, verá. É o que eu penso.
MULHERES, CHEGUEI!
E aquele comercial de desodorante, que junta um monte de mulheres na praia, atrás de um homem feio que sai borrifando o tal produto no ar para atraí-las? Qualquer pesquisa de recall vai apontá-lo como dos mais lembrados pelo inusitado de ter tantas mulheres juntas. No final de semana, resolvi fazer o mesmo teste na praia de Boa Viagem, lotada de mulheres bonitas. Saí correndo pela areia, borrifando o tal desodorante, e o resultado foi o inverso. As mulheres olhavam, riam, e em nenhum momento ameaçavam correr atrás de mim. Algumas até colocavam a mão no nariz, resistindo ao odor. Fiquei frustrado. É assim que eu brinco.
RATIFICANDO O ELOGIO
Vi, na TV, a segunda versão do filme assinado pelo Denatran e Ministério das Cidades, que comentei aqui na semana passada. A campanha é realmente muito boa. Vale a pena observar. Aliás, o Ministério das Cidades vem se mostrando muito competente nas suas atribuições. Só espero que esse elogio não seja um presságio de notícias ruins, como vem acontecendo em tantas outras áreas do Governo Federal. É o que eu desejo.
BONS ANÚNCIOS
Esta semana vi dois bons anúncios nos jornais do Recife. Um deles era de um vinagre do mercado, que usou um formato diferente para mostrar os benefícios do produto para a saúde, citando uma matéria de TV. Muito bom. O outro foi publicado ontem, fala sobre o III Concurso JC de Gastronomia, assinado por diversos anunciantes, inclusive o mesmo vinagre do anúncio que falei antes. Agora, o que confunde é que os layouts dos dois anúncios são parecidos ou por serem da mesma agência ou por mais uma coincidência do acaso. É o que eu acho.
ANUNCIOS RUINS
E como eu mostrei os dois bons anúncios acima, queria mostrar outros dois anúncios que fossem ruins, até mesmo para justificar o objetivo desta coluna que é muito mais de criticar para melhorar, que elogiar. Mas eram tantos, tantos, que seria injusto destacar dois deles e deixar os outros sem uma citação azeda. Assim fico devendo. É o que eu faço.
ELEIÇÕES
Já está na hora de se votar racionalmente, ao invés de emocionalmente, por envolvimentos com amigos, parentes, família. Aproveite que o voto é secreto e dêem uma dedada para aqueles candidatos que estão ou estiveram envolvidos em escândalos e maracutaias. Não dê chance para o azar. Existem muitos jovens candidatos que ainda estão limpos e merecem uma chance. Se optarem por se sujar, no meio do caminho, serão eliminados nas próximas eleições. Só assim a gente deixa de se envergonhar desta raça de políticos que joga lama no nosso país. Precisamos mostrar a eles que o Brasil mudou porque nós mudamos. Mudamos nossos hábitos de consumo de produtos e de pessoas. Não queremos mais políticos e políticas sujos. São quatro anos para convivermos com mais barbaridades de caráter, de roubalheira, de vantagens pessoais vergonhosas. A hora de dar um basta nisso tudo pode ser agora. Use-a. É o que eu voto.
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IRB, 1 milhão de visitantesSeção: Opinião. |
Por Leonardo Dantas Silva
Com uma média de freqüência anual superior a 168.476 pessoas, o Instituto Ricardo Brennand se transformou em seis anos de atividade em um dos mais concorridos centros culturais brasileiros superando, na primeira semana deste mês de agosto, a marca de 1 milhão de visitantes.
Ocupando uma área de 30.000 metros quadrados, o Instituto reúne um complexo cultural formado pelo Castelo de São João, Pinacoteca, Biblioteca, Parque de Esculturas e jardins. A instituição guarda importantes acervos de armas brancas, mapas, objetos e pinturas do Brasil Holandês (1630-1654), além da grande coleção de Arte Brasileira, o que a coloca entre os mais importantes centros culturais do país.
Originário do sonho do industrial pernambucano Ricardo Coimbra de Almeida Brennand, o Instituto foi inaugurado em 13 de setembro de 2002, quando da exposição Albert Eckhout volta ao Brasil 1644-2002, em que se reuniu 28 grandes quadros daquele pintor holandês que, entre 1637 e 1644, esteve em Pernambuco a serviço do conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen, na época Governador do Brasil Holandês.
Tão importante acervo foi trazido diretamente do Museu Nacional da Dinamarca e, pela primeira vez, estava sendo exposto no Brasil, atraindo para o Instituto Ricardo Brennand cerca de 160.000 visitantes num período de pouco mais de trinta dias.
Tal número de simpatizantes continuou a crescer superando, no mês de julho passado, a casa de 1 milhão de visitantes!
Precisamente 1.018.317 pessoas cruzaram a Alameda Antônio Brennand, na Várzea, entre setembro de 2002 e julho de 2008, motivadas pelas exposições dos pintores holandeses Albert Eckhout (160.000) e Frans Post (290.242), do ilustrador Maurício de Souza (75.124), realizadas em sua Pinacoteca, sem falar na sua importante coleção de armas brancas e no seu monumental acervo de obras artísticas originárias dos mais diferentes países.
Para um centro cultural localizado no subúrbio da Várzea, a pouco mais de 12 quilômetros do centro do Recife, a média anual de 168.476 surpreende até aos mais otimistas. Particularmente se comparada com a freqüência anual de alguns dos mais importantes museus brasileiros, como MASP - São Paulo (230.000), Museu de Arte Moderna de São Paulo (210.000) e Museu da Inconfidência de Ouro Preto (100.000).
O Instituto Ricardo Brennand encontra-se situado numa área densamente arborizada do Engenho de São João da Várzea, reúne a importante coleção de armas brancas e medievais originária dos mais diferentes continentes. Em paralelo também se encontram em exposição outras coleções importantes do seu acervo, a exemplo de 18 quadros pintados pelo holandês Frans Post (1612-1680), objetos e gravuras do Brasil Holandês (1630-1654), centenas de pinturas e gravuras retratando a paisagem brasileira dos séculos XVIII e XIX, mobiliário, esculturas de artistas famosos como Auguste Rodin (1840-1917) e o Mestre Valentin (c. 1750 – 1813), estatuária em bronze e mármore de autores diversos.
A tudo isso agora se acresce dois maravilhosos quadros, retratando a paisagem de Veneza, pintados no século XVIII pelo pintor veneziano Giovanni Antônio Canal (1697-1768), conhecido internacionalmente como El Canaletto.
Além das suas valiosas coleções, se soma uma importante biblioteca com cerca de 40.000 volumes catalogados, na qual estão conservadas as coleções reunidas ao longo da vida por importantes homens das ciências sociais e das letras de Pernambuco, como José Antônio Gonsalves de Mello, Edson Néri da Fonseca, padre Jaime Cavalcanti Diniz e Gileno de Carli, e pela Sociedade Auxiliadora da Agricultura.
Quando se indaga do industrial Ricardo Brenannd o segredo do sucesso de sua obra, demonstrado pelas contínuas romarias de visitantes, originários das mais diferentes regiões do país e, em particular, das mais diversas camadas da população do Grande Recife, ele explica tudo com um sorriso bonachão e um verso do poeta português Fernando Pessoa: Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.
* Leonardo Dantas Silva, jornalista e historiador, é autor do livro Pernambuco Preservado – Histórico dos bens tombados no Estado de Pernambuco (2008), 266 p. ilustradas.
Nota da Redação:
Artigo alusivo ao aniversario do IRB, em 12 de setembro passado.
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Num Dia de EleiçãoSeção: Opinião. |
Por Leonardo Dantas Silva
Parece haver sido ontem, quando o peguei em meus braços e o levei ao Colégio Salesiano para o seu primeiro dia de aula. No caminho foi tranqüilo, mas em lá chegando, ao se ver sozinho diante de pessoas desconhecidas, abriu no choro e acenava para que eu com ele ficasse. Entreguei-o à dedicada mestra e fiz o meu caminho de volta, com o rosto lavado pelas lágrimas daquela momentânea separação…
Entre o colégio e a nossa casa o tempo foi passando. Velhas fotografias estão a recordar as festas juninas, com ele e sua turma devidamente fantasiada; as primeiras partidas de basquetebol; as retretas do Derby e as suas reclamações, com os agudos sons que incomodavam os seus sensíveis ouvidos, a dizer para o maestro Edson Rodrigues: “eu só gosto de fevo paladinho”…; os nossos passeios de bicicleta; as visitas freqüentes ao Museu do Estado e ao Horto de Dois Irmãos; os primeiros anos da casa de Pontas de Pedra, com suas incursões pela mata e outras brincadeiras infantis.
O meu Pequeno Príncipe, como o chamava, tomava conta da minha vida. Parecíamos fazer parte de um mesmo corpo, quando juntos adentrávamos no seu mundo de sonhos. Nas suas brincadeiras, encenadas todas as noites em minha cama, eu era levado a ser o tripulante de seu barco de piratas ou o passageiro de sua nave espacial.
– Eu era ali o menino mais velho, parceiro de suas fantasias e brincadeiras…
O menino crescia e eu a acompanhar-lhe os passos. Veio o piano, com as aulas de Hilda Nobre no Conservatório Pernambucano de Música… Os exercícios prolongados, os primeiros recitais – A valsinha do papai; O dirigível; A valsinha da mamãe; O tambor do índio… –; até mesmo uma peça para piano escrita em sua homenagem pelo “vovô Capiba”, em 1987: Valsinha do Tonico.
A saúde, porém, nem sempre era das melhores. Crises freqüentes de asma nos obrigava a varar as madrugadas chuvosas do Recife em busca das clínicas especializadas.
Os tempos do Salesiano passaram. Veio o segundo grau maior no Colégio Israelita, as feiras de ciência, as crises da adolescência nos anos mais difíceis e a primeira vitória conquistada por seu próprio esforço, com o seu nome figurando entre os primeiros colocados no vestibular do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco.
– Nem é preciso dizer da minha felicidade; impossível de ser traduzida em palavras e muito menos por letra de forma…
O meu Pequeno Príncipe transformara-se, com os anos, num rapaz bonito, alto, louro, de físico atlético, usando sempre óculos de aros finos e dourados. Circunspecto, com uma timidez a flor da pele, ele está sempre a necessitar dos conselhos e da companhia desse seu velho amigo.
Hoje, como naquele primeiro dia de aula, ele novamente toma a minha mão e juntos caminhamos em busca de um novo tempo: com o Tonico ao meu lado dirijo-me orgulhoso em busca da 213ª secção da 7ª Zona Eleitoral.
Caminho febril a passos trôpegos, face a uma recente cirurgia, pelas mesmas ruas do nosso bairro da Torre. Por um momento esqueço a minha situação de saúde que me desaconselhava tal esforço, tudo para viver, com ele, a emoção do exercício do voto.
Lá, depois de algum tempo de espera, o mesário chama em voz alta pelo seu nome: Antônio Machado Gomes da Silva Neto.
– Ao meu lado, não mais aquela criança insegura no seu primeiro dia de aula, mas uma bela figura de um Cidadão Brasileiro.
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Adivinhar é o nome do jogoSeção: Opinião. |

Por Alexandru Solomon*
É sempre muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro, sentenciava Mark Twain. Dito de outra maneira, é sempre difícil fazer prognósticos sem saber o que irá acontecer daqui para a frente, complementaria o sábio conselheiro Acácio.
Em maio deste ano, com a crise do subprime já com boa quilometragem, os magos da bola de cristal falavam num índice Bovespa de 80-90.000 pontos para o final do ano. Pode ser que não tenham se enganado, mas apostar hoje no erro deles não parece ser um ato de ousadia intelectual.
Outros arúspices falavam na cotação do petróleo entre 150 e 200 dólares o barril já no final deste ano. Pode se tratar de uma verdade mas tudo indica que seja uma verdade com a data errada. Não se trata de ridicularizar as previsões, basta reconhecer que a realidade é infinitamente mais complexa do que os modelos elaborados pelos ‘achólogos’, na tentativa de descrever o comportamento de determinadas variáveis.
Muito se falou também sobre o dólar. Derrubado pela ação de “maldosos especuladores” ele iria cair até 1,55 ou 1,50 e só não passaria disso por milagre. De repente, todo o mundo, incluindo os “maldosos especuladores”, deu-se conta que o mundo está em crise, que a solidez do Brasil talvez não seja tão ’sólida’ e que o fluxo internacional de divisas de torrente irresistível estaria se tornando um inocente riacho, prestes a inverter sua tendência – querem os mais afoitos. O crescimento chinês ficaria limitado a um dígito e o apetite do mundo por commodities estaria passando pelos rigores de uma dieta severa. Pronto. Eis que o dólar se encaminha para níveis mais altos, num ritmo ditado pelo frenesi das posições desfeitas às pressas. Qualquer afirmativa quanto à trajetória futura do dólar não merece mais do que um olhar distraído. Nem por isso os palpites irão rarear. O Copom isso, o Copom aquilo.
Para complementar o quadro de insegurança, Nossopresidente traz sua preciosa contribuição. Com as mãos sujas do óleo do campo de Jubarte, após tecer elogios à gloriosa Petrobrás, acena com modificações que ninguém – nem ele, possivelmente – sabe quais serão. A Petrobrás deveria, doravante, raciocinar não como empresa e sim como agência de fomento. Se comprar mais caro no mercado local, isso não terá importância, dado o salto para a frente da indústria. Já ouvimos coisas assim quando da gloriosa Lei de Informática.
Incomodado pelo fato de 60% dos dividendos da Petrobrás serem pagos a acionistas em Nova Iorque – sabe-se lá de onde tirou esse dado – Nossopresidente acalenta sonhos noruegueses. Vale a pena lembrar que as ações da Petrobrás negociadas na forma de ADR resultaram de chamadas de capital, no passado, e em decorrência de inúmeras trocas de mãos foram parar lá fora. Detalhe: as tais chamadas de capital possibilitaram a realização de investimentos, ou não? A presumida fortuna, cujo valor oscila ao sabor dos comícios, também deve seu descobrimento aos aportes de capital de terceiros. Dar um chapéu, preservando as regras do jogo, parece uma tarefa cuja consecução é de difícil prognóstico.
Nossa inflação merece um acompanhamento rigoroso e as pesquisas Focus é um precioso indicador de coisa alguma. Serve quando muito para um treinamento na conta de somar palpites e dividir o valor obtido pelo número de palpiteiros. Chamem a isso o método de Delphi se preferirem.
Enquanto isso, afugentados pela perspectiva de uma crise mundial, os “malditos gringos” batem em retirada, os fluxos monetários desestabilizam o Real, e por algum tempo, deixaremos de ser uma ilha de tranqüilidade no mar proceloso dos mercados de capitais globalizados. Trichet disse, Bernanke afirma, o FMI questiona e entre apelos a calma e raivosos “bem que avisei”, algumas embarcações fazem água. Há quem vaticine uma crise nos padrões de 1929; para outros trata-se de ajustes técnicos. Ambas as explicações de pouco adiantam aos que descobrem sua condição de ex-ricos. A busca por projeções confiáveis continua. Catastrofistas e otimistas concordam num ponto: O mundo (ainda) não acabou.
Em suma, prognósticos infalíveis tem de ser procurados em outro guichê; resta-nos acreditar nas previsões, arcando com o custo da credulidade. Até lá, uma ou outra bola de cristal passará por manutenção corretiva. A verdade, como sempre mudará de dono, até alinhar-se com a realidade, após diversos undershoots e overshoots.
Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e o livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Fonte: Celso Fernandes – Foto: Divulgação













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